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Produtores de MT contabilizam efeitos do atraso no plantio do milho

Publicado em: 03/04/2025
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O desenvolvimento do milho na segunda safra tem enfrentado desafios em diversas regiões do estado de Mato Grosso. Com o plantio realizado fora da janela ideal devido ao atraso da colheita da soja por excesso de chuva, agora é a falta dela e o ataque de lagartas que ameaçam a produtividade do milho. Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), aproximadamente 15% da área cultivada, ou seja, pouco mais de um milhão de hectares, foi semeada fora do período ideal, aumentando o risco de perdas.

De acordo com o diretor administrativo da entidade e coordenador da Comissão de Política Agrícola, Diego Bertuol, os produtores se precaveram ao planejar a segunda safra. “O produtor opta por aquilo que vai trazer uma produtividade maior para ele, sementes de alta tecnologia, que têm um alto custo. E esse ano, o produtor foi pego de surpresa, porque essas tecnologias não foram eficientes, gerando custo adicional. O produtor já tem sua margem apertada, quando ela não é uma margem negativa, e nós vemos ainda um custo cada vez maior”, explica.

Além disso, a aquisição dos insumos ocorreu de maneira tardia se comparado com as safras anteriores e houve cautela na aplicação de fertilizantes, o que também deve afetar a produtividade. “O produtor, como em qualquer negócio, ele vê a rentabilidade. Então, para essa tomada de decisão, ele toma como base o preço futuro do milho. O ano passado estava na casa dos R$ 35,00 a R$ 38,00. Então, o produtor rural veio com cautela e fez um menor investimento, principalmente no fertilizante de fosfatado, com produtores reduzindo 50% e outros até 100%. Já no nitrogênio, tivemos redução menor, de 10%, 20% e 30%”, enfatiza Bertuol.

A situação se agrava com a irregularidade das chuvas. Dados do programa Aproclima, apontam que municípios da região nordeste como Confresa, Matupá e Guiratinga, e da região leste, como Água Boa e Nova Xavantina, registraram mais de 22 dias sem precipitação e volumes acumulados abaixo de 130 milímetros. No norte do estado, Confresa ficou até 27 dias sem chuva, prejudicando o desenvolvimento das lavouras justamente no período crítico.

Independente do período de plantio, as lavouras de milho ficaram vulneráveis à falta de chuvas no período crítico de desenvolvimento. Além da seca, os produtores enfrentam dificuldade para o controle de lagartas, em que as variedades amplamente utilizadas para controle de pragas, apresentaram falhas na proteção, forçando-os a realizarem aplicações extras de defensivos.

Nos últimos meses, o aumento da demanda interna, impulsionada pelo setor de etanol e pela indústria de proteína animal, tem disputado o milho disponível com a demanda internacional, ocasionando o aumento do valor da saca. Em 2023, a saca do grão era negociada entre R$ 35 e R$ 38, enquanto atualmente varia entre R$ 80 e R$ 90 em algumas regiões.

Mesmo com preços mais altos, a rentabilidade da produção preocupa os produtores e a produtividade pode não ser suficiente para arcar com os custos da produção. A combinação de plantio tardio, escassez de chuvas e dificuldades no controle de pragas deve resultar em perdas significativas na produtividade.

Fonte: MT ECONOMIAS

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